terça-feira, 9 de agosto de 2016

UM AUTOR MACROCÉFALO III

Boa noite, paciente leitor.
Nem só de literatura vive o homem, mas também de feijão e este vai pela hora da morte. Um quilinho dez pratas. Até mesmo o feijão conseguiram tirar do brasileiro. Os políticos, os homens do poder acabaram com o país. Hoje o Brasil é nau à deriva. Somos motivo de riso e chacota no concerto das nações. O três poderes se locupletaram e aquela luz que havia no fim do túnel , a justiça, apagou-se. É o caos. Estamos DESERDADOS como aqueles personagens do romance homônimo do Sr. Carlos de Vasconcelos que aqui estamos analisando e comentando.
É de bom alvitre destacar que o estranho livro não trata apenas da sexualidade desembestada e animalesca que campeava nos seringais da Amazônia no tempo do famigerado ciclo da borracha, verdadeiro meteoro na economia brasileira. 
Não, perplexo leitor, o romance também versa sobre as relações de poder, denunciando de forma arrojada o martírio do sertanejo cearense nos seringais do inferno verde.
Ali, improvisa-se a caravana dos retirantes, forma-se a procissão dos desesperados, tomando o rumo ignoto da terra prometida, Amazônia, dos tesouros decantados pelos paroaras, o leite suculento da borracha, que vale ouro e dá felicidade e fortuna...
Mas, ao fim da caminhada só encontravam mesmo a morte, a miséria e a doença.  Mais um sonho de futuro que o Brasil não realizou.
Ao amigo leitor sugiro o contato direto com o livro.
Carlos de Vasconcelos, nasceu em 1881, no Ceará, na cidade de Granja e faleceu no Rio de Janeiro, aos 42 anos de idade, no ano de 1923.  Quando contava 18 anos seguiu para o Amazonas, lá chegando em 1899, para desempenhar a função de engenheiro geográfico.
No ano de 1902, vamos encontra-lo no Rio de Janeiro, completando seus estudos na famigerada Escola Politécnica, sendo agraciado com a carta de engenheiro civil e bacharel em ciências jurídicas e matemáticas.
Seguiu novamente para o Amazonas, onde permaneceu por dois anos nas cercanias do rio Yaco, provavelmente aplicando seus conhecimentos técnicos na divisão e legalização das terras.
Findo aquele prazo está de volta ao Rio de Janeiro para defender direitos de constituinte quanto a propriedade de terras na zona do Acre e Alto Purus.
Com projeto de criação do estado do Acre, apresentado na câmara, Carlos de Vasconcelos, promoveu luta acirrada pelos jornais, seguiu depois para a Europa e para os Estados Unidos, fixando-se por fim no Rio de Janeiro.
Sabe-se que defendeu a tese da americanização de forma exacerbada como era de sua témpera.
No Rio de Janeiro fundou uma industria que lhe garantiria o futuro, mas a explosão de uma autoclave em sua fábrica causou-lhe a morte prematura.
Dele disse o nem sempre justo mas genial Agripino Grieco , em sua Evolução da Prosa Brasileira, que se tratava de um autor macrocéfalo que possuía bastante talento. Sem nos aprofundarmos na intenção do "macrocéfalo" , destacamos aquele "bastante talento" que vindo da pena ácida de Grieco já é um louvor sem par.

Ao querido leitor peço a atenção para a próxima postagem.
Fraterno abraço,

Jaime